Uma em cada três pessoas já contou à IA um segredo que ninguém mais sabia

Resumo
- Um terço dos usuários de chatbots compartilha informações sigilosas com uma IA, sem saber que esses dados podem ser acessados por terceiros.
- Segundo levantamento da DuckDuckGo, 32% já revelaram a uma IA informações que não compartilham nem com amigos próximos e familiares.
- A maioria dos usuários desconhece o destino de suas informações, e 53% não sabem que as interações podem ser usadas para treinamento de IAs.
Um em cada três usuários de chatbots de inteligência artificial já compartilhou com essas ferramentas informações que nunca contou a amigos, familiares ou profissionais de saúde. O dado faz parte de uma pesquisa inédita divulgada nesta terça-feira (25/08) pela DuckDuckGo, responsável pelo navegador de mesmo nome.
O levantamento investigou como as pessoas lidam com privacidade ao conversar com IAs nos Estados Unidos. O resultado revela que muitos usuários confiam nos chatbots e acreditam que suas conversas permanecem em sigilo. Entre os entusiastas da tecnologia, o percentual de pessoas que já compartilhou informações desse tipo sobe para 56%.
Por que as pessoas confiam tanto nas IAs?
A pesquisa indica que dinâmica familiar e a rotina influenciam o nível de confiança depositado na tecnologia. Pais ou responsáveis que convivem com filhos, por exemplo, confiam na inteligência artificial quase duas vezes mais do que pessoas sem filhos na mesma residência.
Entre os usuários de IA que são pais, 43% afirmam já ter contado a um chatbot algo que nunca compartilharam com qualquer outra pessoa, seja um cônjuge, filho, médico ou terapeuta. Em contrapartida, esse número cai para 25% entre os indivíduos que não possuem crianças em casa.
A diferença, segundo o estudo, está nas próprias dificuldades da criação dos filhos. Dúvidas, inseguranças e pressões do dia a dia levam muitos responsáveis a buscar orientação sem medo de julgamento. Empresas de tecnologia, inclusive, exploram essa situação em campanhas publicitárias ao incentivar o uso de chatbots de IA como espaço para desabafos e aconselhamento.
Maioria não sabe como chatbots usam suas conversas

O estudo também revela que a maioria dos usuários desconhece o destino de suas informações. Em serviços convencionais, nem sempre as interações permanecem privadas. Elas são automaticamente vinculadas a perfis de usuários, armazenadas nos servidores de terceiros e usadas como base de dados para treinar novos modelos de linguagem, a menos que os usuários desativem essa configuração.
Os dados detalham o nível de desconhecimento do público:
- 53% dos entrevistados não sabiam ou não tinham certeza de que o uso dos chats para treinamento é o padrão na indústria.
- 43% desconheciam fatores críticos sobre o armazenamento e a divulgação desses registros.
- Apenas 25% tinham ciência de que as interações com chatbots podem ser alvo de intimações judiciais ou policiais, podendo se tornar públicas durante processos legais.
Outros pontos cegos incluem o fato de que empregadores podem acessar contas corporativas, contas gratuitas possuem diretrizes de segurança mais frouxas do que as pagas e funcionários humanos das empresas de tecnologia podem ler as transcrições para fins de revisão.
Quando informados sobre como o setor realmente opera, a insatisfação é imediata. A pesquisa mediu que 58% das pessoas relatam desconforto com o uso de seus diálogos para o treinamento de algoritmos, com 30% classificando a sensação como “muito desconfortável”. Incidentes de vazamentos de dados já registrados no setor, que expuseram históricos de conversa, reforçam essa preocupação.
A pesquisa foi encomendada e conduzida pela DuckDuckGo entre 17 e 27 de junho de 2026. Os dados foram coletados a partir de uma amostra online, englobando 1.944 adultos residentes nos Estados Unidos.
Uma em cada três pessoas já contou à IA um segredo que ninguém mais sabia