Twitter volta em nova rede social com IA, mas cobra R$ 100 por acesso

Resumo
- A startup Operation Bluebird lançou o twitter.now, uma nova rede social que recupera o nome e a identidade visual do Twitter, com uma IA para moderação de conteúdo.
- A plataforma cobra uma taxa única para acesso antecipado e utiliza uma IA chamada Vera para avaliar a confiabilidade das publicações, atribuindo uma pontuação com base em fontes de referência.
- A X Corp., de Elon Musk, que comprou o antigo Twitter, entrou com uma ação judicial para barrar o uso da marca, alegando risco de confusão com seus serviços.
O Twitter voltou, mas não foi por um recálculo de rota da X Corp. de Elon Musk. A startup americana Operation Bluebird estreou na internet o endereço Twitter.now, tentando recuperar parte da experiência que teria ficado para trás há cerca de três anos, quando a rede do pássaro azul virou X.
Além do nome, a “nova” plataforma recupera o pássaro (ainda que reestilizado) e as cores da identidade visual antiga, mas acrescenta ferramentas próprias, incluindo uma inteligência artificial para avaliar a confiabilidade das publicações. A nova versão também adota uma cobrança para o acesso inicial.
A organização responsável por ressuscitar a antiga marca foi criada pelo advogado Michael Peroff, com apoio do ex-conselheiro do Twitter Steve Coates.
IA dá nota de confiabilidade aos posts
Um dos “diferenciais” do Twitter.now é a Vera (sigla para Veracity Engine for Real-time Analysis). A ferramenta, baseada no Google Gemini, analisa as publicações, consulta fontes de referência e atribui uma pontuação de confiabilidade aos conteúdos.
Pelo que foi demonstrado, a IA deve agir como uma automatização do sistema de notas da comunidade, adotado pelo X. A Vera, que ainda está em fase inicial de testes, deve sinalizar um nível de confiança com base em afirmações feitas nas postagens e adicionar correções.

Na própria rede social, o cofundador vem demonstrando seus testes com posts deliberadamente falsos. Em um deles, publicou que George Washington foi o segundo presidente dos EUA, afirmação que foi identificada como de “alto risco” pela IA.
Coates resume essa filosofia como “liberdade de expressão, não liberdade de alcance”. Segundo ele, o “primeiro objetivo é ver se podemos realmente trazer de volta uma praça pública que seja mais segura e menos prejudicial”. Ainda não está claro como a IA deve reagir a posts não noticiosos, comuns em plataformas do tipo.
Acesso antecipado custa R$ 100
Por enquanto, o Twitter.now não tem cadastro aberto e gratuito. A plataforma cobra uma taxa única para quem quiser participar do acesso antecipado e reservar um nome de usuário.
São duas opções:
- Founder: US$ 20 (cerca de R$ 100, em conversão direta)
- Fighter: US$ 40 (cerca de R$ 200) ou mais.
A empresa diz que a cobrança serve para a manutenção do serviço e dificultar a criação de contas de bots. O acesso deve ser ampliado no futuro, mas ainda não há uma data para isso.

X tenta barrar uso da marca
A ideia de um novo Twitter foi anunciada pela startup no ano passado. Desde então, a empresa trava uma batalha judicial contra a X Corp. A Bluebird sustenta que Elon Musk abandonou a marca ao trocar o nome, logotipo, domínio e termos dentro do serviço (como “tweet”). A startup pediu ao USPTO, órgão americano responsável pelo registro de marcas, que conteste o antigo registro.
Segundo a X Corp., porém, a identidade do antigo Twitter continua associada aos seus serviços, e o uso do nome por outra rede pode causar confusão.
A defesa da Operation Bluebird também se apoia em declarações preliminares feitas durante o processo. Em abril, o juiz distrital Colm Connolly, de Delaware, teria questionado a falta de evidências sobre o uso comercial atual da palavra “tweet” e do pássaro azul, segundo o Engadget. O caso, no entanto, não teve nenhuma decisão definitiva.
Para evitar confusão, o Twitter.now informa em seus termos de serviço e na própria interface que não tem relação com a X Corp.
Twitter volta em nova rede social com IA, mas cobra R$ 100 por acesso