Google quer que desenvolvedores usem menos RAM no Android

Resumo
- O Google exigirá que aplicativos para Android usem menos RAM, devido à escassez de chips de memória.
- A empresa estabelecerá limites para diferentes tipos de uso de memória, variando de acordo com a quantidade de RAM física do aparelho e o estado do aplicativo.
- Os desenvolvedores que não seguirem as diretrizes poderão sofrer penalidades técnicas ou de distribuição na Play Store a partir de fevereiro de 2027.
O Google vai exigir que aplicativos para Android tenham código otimizado para usar menos RAM, impondo limites do recurso no sistema operacional. A empresa menciona a crise dos chips de memória como justificativa para a medida.
Quem não seguir as diretrizes poderá sofrer penalidades técnicas (apps travando ou fechando) ou de distribuição (menos visibilidade na Play Store). As políticas foram anunciadas na quarta-feira (26/08) e começam a valer em fevereiro de 2027.
O que o Google vai exigir dos apps?
A empresa vai estabelecer limites para diferentes tipos de uso de memória. O uso dinâmico de memória engloba o armazenamento de dados do aplicativo, sejam ativos ou comprimidos, enquanto o uso de memória para bitmap tem relação com os gráficos exibidos.
Os valores variam de acordo com a quantidade de RAM física do aparelho e o estado do aplicativo. Para o uso dinâmico, a faixa mais baixa é a de aparelhos com 4 GB de RAM. Nela, um aplicativo deve não usar mais que 2 GB de RAM em primeiro plano ou 1 GB em segundo plano. Já a categoria mais alta é a de 16 GB de RAM, que terá limites de 4,25 GB em primeiro plano ou 2 GB em segundo plano.
Os números são maiores no caso de games: 2,25 GB de limite em aparelhos de 4 GB, e 5 GB em produtos de 16 GB.
O uso de memória para bitmap terá limites apenas quando os apps estiverem em segundo plano. Faz sentido: se esse uso é visual, tirar o app da tela deveria reduzir o espaço alocado para ele. Nesse caso, o consumo não deve passar de 200 MB quando em segundo plano ou de 400 MB quando em cache.
Com relação à otimização de código, o Google vai exigir uma redução de 25% no código DEX, por meio de remoção de códigos não utilizados, encurtamento de instruções ou redução de nomes de classes.
Por que o Google quer que os apps economizem RAM?

Nos últimos anos, investimentos bilionários na construção de data centers levaram algumas empresas a comprar grande parte da produção de chips de memória. Como consequência, as principais fornecedoras direcionaram toda a fabricação para os componentes usados no treinamento e na inferência de inteligência artificial.
Sobrou pouco para outros ramos da indústria de eletrônicos, e esse pouco está bem mais caro. As consequências são variadas: aparelhos mais fracos, queda nas vendas, produtos mais caros, linhas de produção paradas, categorias quase extintas e lucro recorde entre as fabricantes de chips.
Essa não é simplesmente uma questão de contexto. O Google aponta esse motivo de maneira explícita: “A indústria de dispositivos móveis está passando por restrições de fornecimento de hardware significativas, que estão alterando a disponibilidade de memória, o que, com o tempo, pode impactar negativamente a experiência dos usuários.”
Como nota o The Verge, o próprio Google teve que lidar com isso na sua linha de smartphones: o Pixel 11 Pro e o Pixel 11 Pro XL, lançados em agosto de 2026, vêm com menos RAM que a geração anterior. Nesse caso, nem dá para colocar a culpa nos outros, já que a empresa deve investir cerca de US$ 200 bilhões na construção de infraestrutura para IA.
Com informações do TechCrunch
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