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    Home»Brasil»Brasileiras desenvolvem produto para conter incêndios florestais
    Brasil

    Brasileiras desenvolvem produto para conter incêndios florestais

    adminFonte: admin30 de junho de 2026Nenhum comentário
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    Brasileiras desenvolvem produto para conter incêndios florestais
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    Duas estudantes de biotecnologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) desenvolveram uma solução inovadora e que não agride o meio ambiente para combater incêndios florestais. A iniciativa concorre a um prêmio internacional.

    O retardante de chamas, batizado BIODEFENSER®, é produzido a partir de um composto natural que favorece, ao mesmo tempo, a recuperação ambiental. As estudantes venceram as etapas regional e nacional do Hult Prize 2026 e se preparam agora para disputar a etapa internacional, sendo as únicas representantes do Brasil.

    O Hult Prize é a maior competição de empreendedorismo estudantil do mundo, conhecida como o “Prêmio Nobel para Estudantes”. A competição global é organizada pela Hult International Business School e desafia universitários a criar startups (empresas emergentes com modelos de negócio inovadores) com fins lucrativos, capazes de resolver problemas mundiais urgentes.

    A equipe vencedora receberá US$ 1 milhão em investimento seed (semente) para lançar o negócio.

    Ao todo, 18 mil equipes se inscreveram no mundo todo. Mariah Fraulo Cavalcante e Taciane Beatriz Ferreira ganharam a etapa regional, na PUC-PR, e seguiram para São Paulo para concorrer a uma vaga na fase nacional.

    “Seriam 90 vagas nessa etapa das nacionais, não só do Brasil, mas do mundo todo. E a gente também ganhou, em primeiro lugar. Viramos o time que representa o Brasil nessa competição. Estamos na peneira das 90 e continuando o projeto”, comemorou Mariah.

    Dessas 90 vagas, serão selecionadas 20 equipes para irem a Londres fazer contatos e ter aulas com os professores de lá. O concurso vai selecionar somente oito equipes para concorrer à premiação final. O resultado será conhecido em setembro.

    Sustentabilidade

    O pai de Mariah tem uma empresa de detecção de incêndios florestais e ela, desde pequena, tem contato com essa temática. “Sempre foi algo que incomodou tanto a ele quanto a mim. Eu questionava: a gente sempre monitora, mas o que contém incêndios?”.

    Mariah sempre fui muito ligada à sustentabilidade. Quando descobriu que para conter um incêndio florestal são usados produtos químicos, e que esses produtos contaminam o meio ambiente e prejudicam a fauna, flora, ela decidiu fazer algo diferente.

    “Eu sempre tive o sonho de fazer algo grande para o meio ambiente. Sempre foi uma meta de vida pessoal fazer algo significativo, de impacto”, disse a jovem universitária à Agência Brasil.

    No final de 2024, o projeto do BIODEFENSER® foi iniciado durante o Health Innovation PUC-PR (HIPUC), evento da Escola de Medicina e Ciências da Vida da universidade.

    A proposta de Mariah venceu o concurso e foi selecionada como projeto de pesquisa do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI) da PUC-PR, sob orientação do professor Luiz Fernando Bianchini.

    “Comecei a pesquisar alguma coisa para fundamentar o projeto, mas não tinha nada na internet, nada em nenhum site”.

    A estudante conta que resolveu então “dar uma de cientista maluca”, porque achava que o que estava falando fazia sentido. O professor Bianchini lhe deu um voto de confiança e eles apresentaram um projeto de iniciação científica que foi aprovado. A partir daí, a estudante pôde começar a usar o laboratório da universidade.

    Em seguida, ela se inscreveu no Programa Institucional de Bolsas de Empreendedorismo e Pesquisa (PIBEP) da PUCPR, obteve o primeiro lugar e conseguiu o primeiro investimento para colocar a ideia em prática, no valor de R$ 10 mil.

    O recurso foi utilizado na aquisição de material e equipamento para fazer os primeiros produtos.

    “Nessa época, eu estava sozinha. A Taciane entrou em 2025 no projeto. Ela é minha melhor amiga desde o começo da faculdade, é superinteligente e excepcional no que faz. Ela também queria fazer algo que gerasse um bem coletivo”.

    Mariah explicou que um incêndio florestal se alastra em questão de segundos e que há diversos meios pra conter esse tipo de chama. No caso do incêndio na Califórnia, nos Estados Unidos, por exemplo, foi feita pulverização de um pó tóxico para evitar que o fogo se alastrasse.

    “Mas ele acabou se alastrando. Pensando nisso, a gente está acabando o desenvolvimento de uma formulação biológica que não afeta o meio-ambiente e consegue também conter o fogo”.

    Nos testes feitos até o momento, o produto desenvolvido pelas estudantes conseguiu apagar as chamas laboratoriais. Ele ainda não foi testado em escala grande.

    “Está no nosso plano para esse próximo mês já conseguir fazer um piloto um pouquinho maior”. No segundo semestre deste ano, elas pretendem levar o produto ao mercado.

    “Estamos iniciando os procedimentos para solicitar a patente no Brasil e também no mercado internacional. A gente quer tentar atender os dois campos, porque esse é um problema mundial”.

    Emissões

    Em 2024, incêndios florestais foram responsáveis pela emissão de 8,6 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO²). O dado é do relatório oficial State of Wildfires, monitorado pelo Serviço de Monitoramento da Atmosfera Copernicus (CAMS).

    O prejuízo financeiro superou os US$ 250 bilhões. “Então, é um problema mundial muito grande. E como a gente tem uma solução que não prejudica o meio-ambiente e está se mostrando eficaz, a gente quer que o maior número de pessoas possível se junte a nós e ajude a apagar os incêndios”.

    Elas pretendem ainda obter a confirmação da eficácia do produto junto à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para ter laudos que comprovem que o produto é ambientalmente seguro.

    Mariah celebrou o prêmio de R$ 10 mil, equivalente a US$ 2 mil, que já conseguiram para investimento na universidade. “A gente chegou muito longe com US$ 2 mil. Então, imagina só o que vamos conseguir fazer com US$ 1 milhão”.

    Brasília (DF), 30/06/2026 – Estudantes representam o Brasil em prêmio global universitário com produto inovador contra incêndios florestais.  Foto: PUCPR/Divulgação

    Torcida

    Orientador das alunas, o professor Luiz Fernando Bianchini ressaltou que a ideação do projeto partiu de Mariah, em 2024. Quando a pesquisa foi inscrita no Programa de Iniciação Científica da universidade, Bianchini afirmou ter ficado muito claro “que isso iria se tornar um produto com potencial comercial gigantesco”.

    Na avaliação do orientador, os recursos financeiros para desenvolver o produto, instalar a empresa e começar a produção poderão vir do concurso internacional.

    “Há um custo significativo e é bom procurar investidores. Por isso, esses concursos que oferecem dinheiro como premiação para startups é algo fantástico. A minha torcida é que elas consigam ganhar o Hult Prize. Mas vejo que o esforço e a pesquisa delas já atingiu um grande êxito, porque estamos fazendo a solicitação de patente desse produto. E assim que a patente estiver depositada, nós já pretendemos buscar parcerias para a produção”.

    Parcerias

    Segundo o professor, falta somente fazer a finalização dos testes de formulação e confirmar a eficácia do produto.

    “Na hora em que a gente tiver os testes de estabilidade de formulação e de eficácia, fica mais fácil buscar investidores da iniciativa privada na sequência”.

    A Embrapa Florestas já ofereceu a possibilidade de fazer os testes do produto em campo e, também, para analisar o aspecto residual.

    “Porque, como ele é um biopolímero, o resíduo que fica no solo pode servir de fertilizante, de adubo depois, diferente do inorgânico que existe hoje e que é tóxico para plantas e animais”, destacou o professor.

    Na Universidade Federal do Paraná, poderá ser usada uma câmara de combustão onde se consegue fazer o teste de eficácia do retardante, para que se possa calcular se de fato ele funciona in loco.

    A ideia, primeiro, é concluir todos os testes internamente na PUC-PR para ter certeza absoluta da melhor formulação e da maior eficácia para, depois, fechar as parcerias públicas para expandir as pesquisas.

    O produto deverá ser desenvolvido ou fabricado na iniciativa privada, em sociedade com algum laboratório que produza o reagente. No momento, Luiz Fernando Bianchini disse que as estudantes planejam montar uma spin-off, ou seja, uma startup que tem origem dentro da academia.

    “Elas pretendem levantar recursos para montar uma planta industrial e começar a produção. Por isso, é muito importante obter a patente, para elas poderem ter o direito exclusivo de produção quando já estiverem trabalhando com isso”.

    O professor esclareceu que ter a patente e montar a empresa é um dos nortes que Mariah e Taciane estão buscando. Admitiu, por outro lado, que elas também podem licenciar o produto, permitindo seu desenvolvimento e fabricação por outra empresa ou laboratório, enquanto elas teriam participação e ficariam como sócias.

    Monitoramento

    Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil registrou 10.442 focos de incêndio, segundo o monitoramento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O dado reflete uma tendência global alarmante: segundo a World Weather Attribution (WWA), mais de 150 milhões de hectares de vegetação foram queimados em todo o mundo no mesmo período deste ano.

    A proposta das estudantes da PUCPR está alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), uma vez que a solução encontrada cria uma barreira térmica que reduz a propagação e intensidade das chamas, permitindo o controle rápido e sustentável do incêndio, segundo explica Mariah.

    Outra vantagem é que, além de combater o fogo, a tecnologia permanece ativa após a aplicação, aderindo ao solo e à vegetação e criando uma camada bioativa estável que prolonga a proteção da área.

    A película natural dificulta o surgimento de novos focos de incêndio e favorece a recuperação ambiental ao enriquecer o solo, sem risco de contaminação.

    “O produto não causa danos ao ecossistema e ainda economiza a água que seria utilizada no combate aos incêndios”, complementou Mariah.

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